O trabalho de Paulo Roberto Falcão como treinador, até agora, mostrou a qualidade da falta de teimosia. Contra o Santa Cruz, pelo Gauchão, os articuladores deram preferência às jogadas pelo lado. Assim nasceu o gol de Leandro Damião, quando Andrezinho agiu como verdadeiro ponta-direita. O Time até poderia ter chegado a um placar mais amplo, pois em alguns momentos, mas não com a constância desejada, a tal da compactação apareceu, com marcação um pouco mais adiantada.
Já contra o Emelec, pela Taça Libertadores da América, a distribuição tática no primeiro tempo não funcionou. Os equatorianos foram felizes no bloqueio, usando a estratégia do "espelho", se agrupando em duas linhas de quatro, e oferecendo pouquíssimos espaços ao Internacional. Na segunda etapa, o Bola-Bola colocou os meio-campistas mais centralizados, a equipe - numa fase do embate em que prevaleceu o apoio, e não a insatisfação da torcida - conseguiu executar com sucesso um lance treinado, e aí tudo ficou mais fácil. O número de finalizações subiu, e como único senão cabe uma alusão à má arbitragem de Oscar Ruíz. Não pela posição duvidosa de Rafael Sóbis, no primeiro tento, pois a tevê deixa a impresão de que o zagueiro do Emelec recua, e acaba assegurando condições ao atacante. E sim porque poderia ter mostrado o cartão vermelho para Leandro Damião, devido a uma seqüência de faltas. O juiz colombiano preferiu compensar a complacência que demonstrara frente à violência dos "elétricos", desde os 45 minutos iniciais.
Neste domingo, o esquema 4-4-2 com feições ofensivas será mantido contra o Juventude, em Caxias, pelo Estadual. O técnico não usará a ausência de D´Alessandro, punido pelo terceiro amarelo, como desculpa para uma tática mais cautelosa. É positiva esta atitude para o Inter, jogue Zé Roberto, ou retorne Oscar, ausente por lesão. As mudanças ocorrem aos poucos, mas sem protelações. Ainda mais quando vão começar as fases mata-mata da competição continental. Vale lembrar que gol fora está entre os critérios de desempate.
Nesta edição do torneio, aliás, a incrível classiicação do Fluminense na Argentina comprova que tudo pode acontecer. Já se fala nos possíveis grenais nas quartas de final! Prefiro pensar só no Peñarol, um adversário que anda mal das pernas, mas que possui enorme tradição! O confronto entre Grêmio e Universidad Católica, inclusive, é o de segunda maior imprevisibilidade das oitavas. Fica atrás somente de LDU X Vélez Sarsfield. Se o Internacional crescer defensivamente e melhorar um pouco o aproveitamento das oportunidades, avançará com firmeza, mas por enquanto não existe certeza de que veremos isso.

