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Libertadores: a Saga do Cruzeiro

5 de fev de 2010

A Copa Santander Libertadores começou a ser disputada em 1960, sua primeira partida terminou com uma goleada de 7 x 1 do Peñarol (que viria se tornar campeão) contra o Jorge Wilstermann. Neste ano o torneio incluia apenas os campeões de cada um dos países participantes (o representante brasileiro foi o Bahia), os vices só passaram a disputar em 1966, ano que o Brasil não participou por achar que descaracterizava a competição (assim como a Colômbia). Atualmente a classificação já é um pouco mais complexa (clique para ler sobre a atual classificação).
O primeiro time brasileiro a vencer o torneio foi o Santos (do rei Pelé) em 1962, a terceira edição. Tendo goleado duas vezes na fase de grupos, 9x1 em cima do Cerro Porteño e por 6x1 o Deportivo Municipal. O Santos consagrou-se bi-campeão no ano seguinte.
Em 1969, novamente, o Brasil não se inscreveu na competição por discordar do regularmento, assim como a Argentina, mas o Estudiantes de La Plata (Argentina) entrou nas semi-finais da competição por ter vencido no ano anterior e conquistou então o bi-campeonato. O Brasil continuou sem participar em 1970 pelos motivos do ano anterior (regulamentação do calendário) e por achar que prejudicaria os times para a preparação da Copa do Mundo. Este foi o ano da maior goleada da Libertadores: Peñarol 11 x Valencia (Venezuela) 2. Além destas três vezes o Brasil participou de todas as outras edições tendo levado 13 títulos até então.


Cruzeiro na Libertadores (La Bestia Negra de Las Américas)

A primeira participação do Cruzeiro foi em 1967, entrou por ter vencido a Taça Brasil no ano anterior. O vice-campeão da taça (Santos) também tinha direito a participar da competição, mas desistiu. Neste ano o Cruzeiro passou da 1º fase às semi-finais mas não conseguiu classificar-se para a final.
Em 1974 - após um roubo muito escotro do juiz para o Vasco da Gama (o juiz assumiu ter dado o título ao Vasco, depois de se aposentar) - o Cruzeiro ficou como vice-campeão do Campeonato Brasileiro e classificando assim pela segunda vez para a LA, em 1975. Eliminou os três times do seu grupo (incluindo o Vasco) e passou às semi-finais onde estagnou-se mais uma vez.
Vice-campeão brasileiro de novo voltou ao torneio em 1976.

- Libertadores de 1976

Classificado pela terceira vez começava a ser um dos tradicionais na disputa da taça e entrou para ser o segundo time brasileiro à vencer a competição, depois do Santos (13 anos depois). Venceu o Internacional por 5 x 4 no Mineirão, o Olimpia por 4 x1 e também por 4 x 1 o Sportivo Luqueño.


Passou às semi-finais. No dia 13 de Maio morreu Roberto Batata (atacante) de acidente automobilítisco. A morte do camisa 7 do Cruzeiro inspirou e uniu a equipe para o jogo seguinte que seria contra o Alianza Lima, no Mineirão. O jogo terminou com um largo placar de 7 x 1*, o número da camisa de Roberto Batata.

(Jogadores ajoelhados rezando por Batata, depois de consquistarem à América)

Depois deste jogo, também pela semi** goleou a LDU por 4x1 seguindo para a final contra o River Plate. No primeiro jogo, realizado no Mineirão o placar de 4x1 foi repetido pela 4ª vez na competição. No segundo jogo houve o revés de 2x1, no Monumental de Nuñez. E no terceiro e último jogo da Libertadores daquele ano consagrou-se campeão no estádio Nacional (Santiago) vencendo por 3 x 2.
O terceiro gol celeste foi de uma cobrança de falta bem inusitada, o cobrador da equipe (Nelinho) ia tomando distância da bola quando Joãozinho (um péssimo batedor) deu um chute inesperado na bola marcando o terceiro gol. Após o jogo ainda tomou uma bronca do técnico Zezé Moreira.


Em 1977, pela quarta vez, participou da disputa e perdeu para o Boca Juniores nos pênaltis do terceiro jogo por 5 x 4. Só voltou a competição em 1994, depois de campeão da Copa do Brasil em 1993, parando nas oitavas-de-finais.

- Libertadores de 1997

O Cruzeiro conquistou o bi-campeonato da Copa do Brasil em 1996 e voltou ao torneio das Américas em 1997. Longe de ser um dos preferidos ao título perdeu os 2 primeiros jogos e não tinha praticamente nenhuma chance de passar da fase de grupos, o tecnico Oscar foi demitido e contratado Paulo Autuori. O novo treinador determinou que de forma alguma o time poderia ficar pelo caminho (no Peru, após derrota para o Sporting Cristal, a terceira).
Depois disto a equipe se uniu com um único objetivo. E venceu o temido Grêmio, no Olímpico e as outras 2 partidas da fase de grupos, classificando-se para as oitavas-de-finais que passou também sufocado, na disputa de pênaltis. Naquela época o goleiro era Dida, ótimo em defesa de pênatis e garantiu a vaga nas quartas.
E foi nas quartas que reencontrou com o Grêmio e deixou o tricolor gaúcho para trás (2x0 e 1x2).
Na semi-final passou o Colo-colo de novo nos pênaltis e Dida neles! Até que chegamos à final:
Primeiro o empate em 0 x 0 na casa adversária, depois...
Com 95.472 pagantes e 102.000 presentes foi um jogo tenso contra o Sporting Cristal, aos 30 minutos do segundo tempo após um rebote numa cobrança de escanteio Elivélton balançou as redes e explodiu a torcida nos gritos de "bi-campeão". Para o frio na barriga de todos, no fim da partida, surgiu uma falta perigosa contra a Raposa, mas Dida estava lá mais uma vez para espalmar a bola e Gottardo (capitão) pode levantar a taça ao som de "Ah! Eu tô maluco!" da torcida.

Desde então a equipe busca seu tri, com muita raça chegou novamente às finais em 2009, mas perdeu o título dentro de casa por uma virada de 2 x 1 do Estudiantes, uma partida que o time pouco valorizou sem ninguém nunca entender o motivo.
Atualmente o time já participou de 11 Libertadores e esta (2010) é sua 12ª participação. Em 1976 e 2008 teve o artilheiro da competição, em 76 Palhinha e em 2008 o boliviano Marcelo Moreno. Agora participa de sua terceira Libertadores consecutiva buscando seu terceiro título. Ou a sua Reconquista das Américas.


* O placar de 7x1 sobre o Alianza até então era o maior do Cruzeiro na Libertadores, mas quarta-feira o time superou o próprio recorde marcando 7x0 contra o Real Potosí pelo segundo jogo da fase conhecida como pré-libertadores
** A competição tinha um formato diferente e as semi-finais eram parecidas com a fase de grupos, por isto o Cruzeiro jogou com dois times pela fase àquele ano.

Sugestões:
Site "Libertadores 76: A conquista das Américas" http://libertadores76.benny75.com/

(Clique para ampliar a imagem)

2 comentários:

André Peixoto disse...

A história do Cruzeiro pela América, é muito interessante. Eu nunca canço de ler sobre a história do maior de Minas na Libertadores.

Uma das coisas que mais me emociona, é sobre a morte do Roberto Batata, quando morreu, foi homenageado com o título da competição. Teve também uma goleada, como foi dito.

Este ano será mais um grande torneio, mais uma vez dificil. O nosso Cruzeiro se encontra em um grupo muito dificil ( o mais dificil na minha opinião). Mesmo com as dificuldades, acredito em uma boa campanha e o título.

Post da Libertadores no meu blog amanhão, peço a apoio de todos.
http://palpitesfc.blogspot.com

7 de fevereiro de 2010 13:00
Dinho disse...

também não me canso de ler sobre o Cruzeiro na Libertadores.

Somente fazendo uma correção, Marcelo Moreno foi o artilheiro em 2008 porem ele e Boliviano, não Colombiano como dito acima. No mais o texto esta belíssimo, parabéns! Aguardo novas historias dos guerreiros.

18 de fevereiro de 2010 19:26

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