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Domingo de Lembranças

17 de ago de 2009

Quando eu tive outro pai

Há mais ou menos trinta anos (ou há 31 campeonatos brasileiros – para ser mais exato), fui levado pela mão de casa até as sociais do Estádio Olímpico, ouvindo “radinho” e comendo bala e pipocas. E eram destas pipocas feitas no fogão mesmo, em que o milho explode na panela…

Era um domingo de sol exatamente igual ao de hoje. O que dizemos aqui no Sul como sendo “uma tarde ótima para um jogo de futebol…” Eu fui ao campo com um vizinho do meu prédio, o seu Vilmar. Ele sabia que eu era gremista e perguntou aos meus pais se eu não gostaria de ir com ele e com o filho Álvaro assistir ao jogo. Seria muito bom. Seria ótimo. Seria incrível. E foi!

Já havia freqüentado o estádio em outras oportunidades, mas todas rarefeitas: um jogo contra o Santa Cruz do Recife e um jogo contra o Operário de Campo Grande (com o lendário Manga atuando no gol, ele que viria a ser campeão gaúcho jogando pelo Grêmio no ano seguinte), pelo que me lembro. Não é por nada, mas não foram partidas que eu pudesse classificar de inesquecíveis.

Agora não! Eu estava indo assistir o grande Flamengo. Mesmo em minha tenra idade eu já conhecia alguns dos jogadores que nos visitariam e, dentre eles, o grande Zico. O homem a ser parado! Seu Vilmar me perguntava uma ou outra coisa sobre o que eu esperava do jogo, o filho escutava, e ambos pareciam divertir-se com minhas respostas. O tal do Zico não veio, mas estiveram por aqui o lateral “Voa-Canarinho-Voa”Júnior, o mago Paulo César Carpegianni, o meia Adílio e o inacabável centroavante Clãudio Adão.

Apenas para contextualizar: não era uma época muito boa para se declarar gremista. O Internacional vinha de um incrível Bi-Campeonato Brasileiro (em 1975-76), o Grêmio – há muito custo, recém interrompera a sequência de oito campeonatos regionais colorados. Os times gaúchos ainda não tinham a projeção que conquistaram posteriormente, mas o Grêmio, em especial, não tinha a menor tradição na fronteira além Mampituba (fronteira com Santa Catarina). O Flamengo que eu iria ver, portanto, não era um time carioca. Ele era o grande Flamengo do Brasil…

O Jogo

Mas o jogo começou e o que vimos em Porto Alegre (no tempo que se assistia aos jogos sentados, levantando-se vez que outra, apenas nas jogadas ofensivas de melhores perspectivas) foi um passeio sobre o rubro-negro mais querido do Brasil. O Grêmio virou o primeiro tempo vencendo de 2x0, com total naturalidade. E começou o segundo fazendo um gol com o jovem ponteiro-esquerdo Éder Aleixo, recém-contratado junto ao América Mineiro. Em um rápido contra-ataque o Flamengo descontou, mas aí veio o grande gol da tarde: em uma arrancada desde o meio-campo defensivo, o zagueiro Vicente teve seu dia de craque, serpenteando pelo meio do time carioca, passando na corrida por cinco jogadores, driblando o goleiro Cantarelli e empurrando a bola para o fundo das redes. O Grêmio ainda faria mais um gol com Renato Sá, e o lateral Júnior daria números finais ao espetáculo cobrando uma penalidade máxima: inacreditáveis 5x2!

Batismo

Assim, sai do Olímpico me sentindo batizado. Sabia que, independente do meu pai nunca ter me levado ao campo, nunca ter me dado uma camiseta do Grêmio, talvez ter jogado bola comigo duas ou três vezes durante a minha infância, agora eu tinha uma certeza: havia encontrado e uma nova família para os fins-de-semana de futebol em Porto Alegre: Seu Vilmar e o filho Álvaro.

E assim foi, ao longo de todos os anos 80 e o começo dos 90. Mesmo que eu já não fosse mais uma criança, que gostasse de ir ao campo com amigos e colegas, volta e meia íamos juntos. Chegávamos cedo, sentávamos nas Sociais, comíamos uma pipoca e ficávamos olhando o campo silenciosamente. Nunca precisamos de muitas palavras nesta nossa relação, mas certamente nunca gritei GOL tantas vezes com uma mesma pessoa…


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