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O Inter estará pronto dia 16?

Aquela tarde, em dezembro

12 de set de 2009

Olá, leitores, torcedores de diferentes times do país.

Pois amanhã me lembrarei, por certo, daquela tarde de dezembro. Em 1975, o Brasil vivia sob uma ditadura, o mundo via o Vietnã vencer a máquina de guerra do imperialismo norte-americano, a União Soviética e seus satélites já patinavam na estagnação econômica que liquidaria o modelo das sociedades pós-revolucionárias (que eu particularmente não considero que foi socialista e muito menos comunista.....), a cultura brasileira tinha nas criações musicais de Chico Buarque e Tom Jobim uma base para se manter grande, apesar da censura, e eu só queria saber de estudar, ler e jogar bola, além de ver o Internacional, claro.

E a que Time eu podia assistir! Naquela tarde, o jogo foi nervosíssimo. O adversário era de qualidade quase igual. A diferença posteriormente entendi - muitos anos depois pesquisando a história do futebol gaúcho, também por dever profissional - que se chamava Paulo César Carpegiani. Naquela temporada, fora o melhor jogador colorado. Acima de Figueroa, Falcão, Valdomiro e Lula. Na campanha de 1975, é notável a queda no desempenho do Inter quando o craque, que brilharia com menos intensidade no Flamengo pouco tempo depois, se ausentou por lesão. Naquela tarde, nublada, com um raio de sol que ficaria famoso a certa altura da segunda etapa, o camisa 10 deixou Chico Fraga e Lula à vontade para concluir em condições favoráveis. O lateral reserva chutou na rede pelo lado de fora; o ponta-esquerda (sim, jovens, quando eu comecei a acompanhar o mais popular dos esportes, os times eram ousados e jogavam no 4-3-3, ou seja, com dois "ponteiros" e um centroavante.....) na trave! Nestas alturas, depois deste último lance, a partida já registrava seu único gol.

O cabeceio do "capitão dos Andes" nasceu de uma falta que era escanteio. Porém, os deuses do futebol - se existem - provavelmente conspirariam para que Valdomiro acertasse aquele cruzamento. A especialidade do símbolo daquela época vitoriosa. E, lógico, haveria os chutes de Nelinho e a notável performance do goleiro Manga. Do que mais me lembro é a torcida cantando, com a melodia de "Celito Lindo": "Ai, ai, ai, ai.....tá chegando a hora!/ O dia já vem raiando, meu bem..../ Eu tenho que ir-me embora!"

Tudo desembocou naquela tarde para o futebol do Rio Grande nunca mais se conformar com pouco. A Revolução comandada pelos Mandarins nos primórdios da Era Beira-Rio, com o princípio de que jogadores só poderiam vestir a belíssima camisa vermelha se apresentassem duas das três características fundamentais: força velocidade e habilidade; a mobilização do povo alvirubro, sentindo que aquele título viria, teria que chegar, estava amadurecendo, após uma campanha com ótimo aproveitamento contra adversários fortes, ou não; e a mescla muito bem sucedida de atletas formados em casa com outros trazidos de fora.

Não foi só por aquela final de Campeonato Brasileiro - a primeira reunindo clubes de fora do eixo Rio-São Paulo - que Internacional X Cruzeiro se tornou o maior clássico envolvendo gaúchos e mineiros, e um dos melhores do país. Em 1972, uma virada do Colorado por 3X2 em um quadrangular nas quartas de final da competição, matou torcedores por ataque cardíaco. Ninguém esquece o 5X4, desta vez favorecendo o Cruzeiro, na Libertadores da América 1976, espetacularmente conquistada pela agremiação de Belo Horizonte. Ao final da década, equilíbrio no número de vitórias em confrontos oficiais, com pequena vantagem para a Raposa no número de gols.

Acredito que com a liberação acertada de Sandro da Seleção Brasileira Sub-20, num acordo que não retirou Guiliano do grupo, mas acabou sendo razoável para todas as partes, Adenor Tite chega à decisivíssima rodada com totais condições de colocar em campo uma formação capaz de um triunfo categórico. Entretanto, respeito obviamente, mesmo com eventuais desfalques, o conjunto de Adílson Batista, o qual parece estar com dificuldades de relacionamento com os "boleiros". Como creio que o Palmeiras não derrotará o Vitória em Salvador, a esperança é considerável, no sentido de que o Inter arrebate a liderança do Campeonato Nacional neste domingo. Desde que não menospreze um rival vice-campeão da América.

Não obstante uma eventual chegada ao topo da tabela, muito caminho ainda haverá pela frente para terminar de maneira inesquecível esta temporada do Centenário. A começar pelo mesmo oponente baiano que há de complicar as coisas para o conjunto de Muricy Ramalho, amanhã, na "Boa Terra". Se terá ainda maiores méritos faturar um Campeonato Brasileiro com a mais justa das fórmulas, na comparação com 1975? Bom, sobre isto escreverei outro dia se o aproveitamento do Colorado permitir.

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