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A Vitória Inusitada e o provável novo treinador colorado

9 de ago. de 2011

Olá, leitores, torcedores de diferentes times do país.

A vitória inusitada do Internacional domingo teve, é forçoso admitir, a influência decisiva da arbitragem, mas a banca paga e recebe. Em 2009, no Brasileirão que o Colorado perdeu por poucos pontos, o Cruzeiro foi ao Beira-Rio, contou com interpretação favorável do juiz numa jogada contra Taison dentro da área defendida pelo conjunto de Belo Horizonte no primeiro tempo e um gol de impedimento de Gilberto, que acabou decretando o triunfo. Naquela ocasião, 3X2 para os mineiros; agora, o mesmo escore favoreceu o Internacional, com um gol muito mal anulado (que deixaria a ótima partida empatada em dois tentos), e um lance duvidoso, envolvendo Fabrício e Montillo, o qual poderia resultar em um pênalti a favor da Raposa.

Não obstante o nível precário do auxiliar que não considerou que o atleta cruzeirense estava atrás da linha da bola, na primeira situação referida, o Inter jogou bem apenas nos 45 minutos iniciais, com Delatorre assegurando o esquema 4-4-2, ainda que muitas vezes o jovem atacante partisse de trás, para se somar a Leandro Damião. A segunda etapa foi toda do Cruzeiro, que adiantou a marcação e pressionou com notável constância o adversário, mandando às favas o fator local. O Time orientado por Osmar Loss deu a impressão de estar desgastado, com a seqüência de embates que incluiu a Copa Audi, na Europa. Valeram os três pontos, com as devidas ressalvas. No Brasileirão de Turno e Returno, os erros se compensam, via de regra.

Busquei uma informação hoje, e aderi à interpretação predominante entre a crônica esportiva. A tendência, neste momento, aponta para Paulo Autuori como novo treinador do Internacional. Amanhã, depois do jogo difícil contra o Independiente pela Recopa, a direção poderá emitir sinais mais claros neste sentido. Ocorre que uma fonte confirmou que Fernando Carvalho gosta do técnico de muito bom currículo. E consta que o ex-presidente está voltando a ditar os rumos no futebol colorado. Autuori combina realmente com as idéias de prudência e cautela carvalhistas. O São Paulo, sob o comando dele, ganhou o Torneio Mundial contra o Liverpool do jeito que alguns teimam em atribuir ao Inter contra o Barça, um ano depois. Enquanto o Colorado, na memorável decisão de 2006, teve posse de bola e conseguiu agredir o poderoso rival catalão algumas vezes, o tricolor paulista foi bombardeado pela ótima equipe inglesa. Tanto assim que o goleiro Rogério Ceni foi eleito como o melhor em campo pela FIFA. Honra que coube ao atacante Iarley na final posterior.

Encerro, lembrando que acertei seis dos 10 resultados da rodada, sendo dois placares com exatidão, nas partidas realizadas na Bahia e em Florianópolis. Acredito que amanhã a rede vai balançar muito.

Alemanha 2 X 1 Brasil. Outra derrota dos comandados de Mano Menezes para um selecionado forte.

Santos 3 X 2 Corinthians. Vou confiar que este clássico delimitará a "cura da ressaca" do Peixe. E o Brasileirão esquentará de vez.

Independiente 3 X 3 Internacional. Como no confronto da Recopa, vale a regra do gol qualificado, este escore seria excelente para o Clube do Povo do Rio Grande.

Adiós, Alemania!

8 de jul. de 2010

Fato é que a Espanha jogou melhor que o bom time alemão.
A idéia que eu tinha antes da partida, depois da lavada sobre a seleção argentina é que mostrariam alguma resistência, partiriam para o jogo e sairiam com um resultado positivo. Ontem, eu acompanhei grande parte da partida. E não parecia a mesma seleção que havia jogado até aqui. A tempos atrás cheguei a registrar aqui que a seleção brasileira e a alemã se acham iguais no "nome", na tradição, achando que podem ganhar no momento que acharem mais conveniente. Todavia, a seleção espanhola vinha com um desejo a mais, o de ser campeã mundial. Venceu porque jogou melhor. Teve méritos e agora basta pra Alemanha manter a boa qualidade técnica deste time para seus próximos campeonatos. Deu pra eles mostrarem que essa seleção - também reformulada, como a brasileira tem um futuro promissor. Chegam as finais os melhores. Que vença a seleção mais preparada.
Nos falamos no retorno do Brasileirão!
Abraços!

Espanha vence e é semifinalista

4 de jul. de 2010

Espanha e Paraguai se enfrentaram pelas quartas-de-final da Copa do Mundo em busca de uma vaga entre os quatro melhores do mundo. Em um jogo de poucos gols, os espanhóis foram melhores.

Os paraguaios apostaram na retranca para segurar a Seleção Espanhola e a primeira etapa acabou sem gols. Já no segundo tempo, o jogo foi marcado por pênaltis não convertidos. Aos 13 minutos Paraguai teve um pênalti a seu favor, mas a cobrança de Cardoso foi defendida por Cassilas.

Dois minutos depois, foi a vez da Espanha poder abrir o marcador com um pênalti a seu favor, então foi a vez de Villar defender, após segunda cobrança, já que a primeira teve invasão de área. Assim, o jogo seguiu empatado até os 38 minutos, quando Villa, na sobra, marca o belíssimo gol da classificação.

Com o placar magro de 1 a 0, o Paraguai dá adeus à Copa do Mundo. Já a Espanha vai para a semifinal e agora enfrenta a Alemanha, que ganhou da Argentina por 4 a 0.

Double Goodbye

28 de jun. de 2010

As duas seleções do Grupo C jogaram as suas partidas de vida ou morte nessa Copa do Mundo, os Estados Unidos primeiro do grupo enfrentou Gana e a seleção da Inglaterra enfrentou a poderosa Alemanha. Jogos que não são de boas lembranças para ambos.

No jogo contra Gana os americanos começaram em desvantagem no placar, e com um jogo em que se revezava o domínio da partida com muitos altos e baixos. A pergunta que todos se faziam era o que ia ganhar esse jogo, o bom condicionamento físico dos americanos ou a força física dos jogadores de Gana.

A reposta veio quando Donovan em cobrança de pênalti empatou a partida fazendo a classificação ser decidida na prorrogação. Tudo estava muito equilibrado até Gana marcar o gol da inédita classificação.

Na partida mais esperada dessa fase entre Alemanha x Inglaterra, a expectativa estava no confronto entre a juventude alemã contra o tradicional 4-4-2 inglês. Com muita falta de criatividade no meio-campo e a ausência de futebol do craque Rooney, ficou fácil para a Alemanha envolver a defesa inglesa e abrir dois gols de vantagem.

As coisas poderiam começar a mudar para a seleção da terra da rainha quando o Upson empatou, mas a arbitragem não viu a bota chutada por Frank Lampard passar a linha com isso a Inglaterra não pode comemorar o gol de empate e os alemães sentiram vingados o gol em 66. No segundo tempo a tentativa de pressão da Inglaterra só ocasionou mais dois gols da Alemanha feios no contra-ataque, acabando com o sonho do titulo.

Assim terminaram as participações das seleções do Grupo C, com um gosto de fracasso para uma e para outra um grande sinal de renovação, vamos ver se elas conseguem chegar para a Copa de 2014 e esperar por grandes mudanças.

Tchau, 1ª Fase!

24 de jun. de 2010

Pois é pessoal, a Copa do mundo vai tomando desenhos cada vez mais emocionantes. Com zebras e alguns grandes resultados. No meu grupo, o D, deu a lógica. Gana, confirmando ser o melhor time africano nessa Copa passa junto com a Alemanha, do brasileiro naturalizado Cacau (foto).
Eu particularmente, esperava uma surpresa, da parte da Austrália. Que teve como resultado determinante a estréia onde perdeu por 4x0, comprometendo o saldo de gols.
Entretanto, é um desempenho muito bom em copas, 4 pontos de 9 disputados. Jogaram um "grande" futebol contra a Sérvia e ganharam por 2x1.
A moral da história é para a próxima fase um grande confronto. Os alemães encaram os ingleses, e os africanos de Gana vão para cima dos Norte Americanos, que ganharam sua partida e a classificação no último ataque.
O técnico alemão não desfarça a preocupação de enfrentar os ingleses nas oitavas. Certamente será "o jogo" das oitavas de final. É um clássico, onde realmente não tem como prever o que pode acontecer.
Vejo Gana com um pouco mais de "fome de bola" do que os norte americanos, mas qualquer palpite agora é pedir pra pagar mico, essa Copa tá muito imprevisível.
Um grande abraço a todos, e estaremos juntos, as 11! Hexa neles, Brasil!

EMOÇÕES DO GRUPO D

21 de jun. de 2010

Oi pessoal. Cá estou eu, novamente para falar do meu grupo na Copa do Mundo 2010.
Deixei os jogos acontecerem para não cometer o mesmo vacilo da semana passada, na preleção... A gente que não conhece nada de futebol pode cometer erros daquele tipo... (risos!)
Algo que vi na seleção alemã me remeteu a seleção brasileira: o nome. Isso faz com que as seleções achem que podem jogar como querem que o gol é questão de tempo. Mas, nome não ganha jogo. Por achar que fez quatro na primeira rodada na até arrumada Austrália, achou que ganharia com tranqüilidade a Sérvia. E foram surpreendidos, assim como os espanhóis, diante da Suíça. A expulsão do Klose ainda no primeiro tempo e o penal perdido pelo Podolski foram determinantes para o resultado a favor dos sérvios, que agradecem os três primeiros pontos em Copa do Mundo! Festa no pequeno país do Leste Europeu – que havia perdido para Gana, por 1 a 0. É um resultado inédito que coloca a inesperada seleção em condições de passar para a segunda fase.
Austrália, depois da derrota na primeira rodada para a Alemanha, partiu pra cima da seleção ser afobados – já diz meu avô. Fez um gol no começo, e ao invés de apenas sofrer o gol de empate, o melhor jogador da seleção – em minha opinião, vai e mete o braço na bola. Penal claro, e expulsão. Do segundo jogador australiano na segunda partida. Na seqüencia, Gana converte seu penal, e com um jogador a mais a tendência natural seria uma pressão da seleção africana. No início do segundo tempo, a tendência se confirma. Desde o começo do jogo, Gana vai pra cima da Austrália, já que o resultado não é o ideal, uma vez que a vitória seria fundamental já que enfrenta a seleção alemã na ultima rodada. E outro detalhe, o saldo de gols é critério de desempate. Arriscando muito de fora da área encontra bastante resistência do veterano goleiro da seleção da Oceania.
Fim de jogo e o que eu, mais uma vez não esperava, era o empate. Gana não tentou muito. Pelo contrário, justamente diante disso a seleção australiana nos últimos quinze minutos de jogo sacou dois atacantes e, se tivessem um pouco mais de qualidade técnica teriam ganho mesmo com um jogador a menos. Parece que Gana teve medo de ganhar o jogo.
Sérvia com três pontos pega na ultima rodada pega a Austrália com um. Gana com quatro, líder do grupo pega a Alemanha. Moral da história?! Acho que aqui é mais equilibrado. Onde as quatro seleções têm condições reais de classificação. To gostando de cobrir esse grupo!
[Fotos: 1 - Goleiro sérvio comemora com o time após pegar penal de Podolski; 2 - sérvios comemoram gol]
Mudando de assunto, ô joguinho sem vergonha do Brasil hein!? Quando as coisas parece que emplacam... chega "uns negão" dando pernada pra todo lado.
Acompanharei dentro do possível o jogo de Portugal.
Boa semana a todos!

Preleção Grupo D

12 de jun. de 2010

Oi pessoal! Estou aqui para falar um pouco do que vai rolar no Grupo D.
Mesmo com o sério e relevante desfalque (foto) do meio campo e capitão Ballack, é sempre interessante ressaltar que devido a grande tradição da equipe, sempre há quem a considere favorita.
Dentro do Grupo não dá pra negar, e o jogo de amanhã contra a Austrália vai significar muito para as pretenções para o grupo que passou por uma grande reformulação. Segundo o próprio Ballack, o importante é fazer essa partida para ganhar confiança onde quanto mais gols, melhor.
Mas, não é bem assim. A Austrália sabe que se bobear será presa fácil. Dessa forma, descaradamente foi declarada retranca total. O grande destaque da seleção alemã é o atacante brasileiro naturalizado Cacau, que mal chegou, já está sentando na janela do buzão da delegação, ao lado do Trochowski.
A Chanceler alemã Angela Merkel, dentro do seu "bom humor" também mostra confiança e prevê bom resultado:2x0.
Eu, sinceramente não conheço o esquema de jogo australiano. Mas, de certo, jogarão bem compactos, tentando sofrer o menor número de gols possível.
O destaque da seleção australiana é o atacante Tim Cahill. Que deve ser o único a jogar da intermediária para frente.
Confirmando, o horário para esse jogo, que é o mais interessante do grupo rola amanhã as 15:30hrs (Brasília). Mais cedo, as 11 um jogo de menor expressão que pode definir o segundo colocado do grupo, após a Alemanha.
Sérvia e Gana, a vista de muitos podem parecer tecnicamente iguais. Mas, um deles tem uma vantagem: o meia Dejan Stankovic (foto). O meia e capitão da seleção sérvia afirma que a equipe deu um salto de qualidade nos últimos meses, e deu o arranjo final com os treinamentos para a Copa. Detalhe, o meia é o camisa 10 da Inter de Milão, então vale a pena ficar de olho no cara.
Outro dado interessante: em outubro de 2008 a sérvia ocupava a 40ª posição no ranking da FIFA. Hoje a seleção é a 15ª. O elenco é bom, com Milos Krasic, Milan Jovanovic, Branislav Ivanovic, Aleksandar Kolarov e Ivan Obradovic - alguns observados para jogar na Europa depois da Copa, e outros já assinaram.
Do lado de Gana, o técnico é sérvio, e já confessou que vai comemorar normalmente com o gol da seleção afrinaca - afinal, nada mais justo por ser fruto do seu trabalho.
Um outro fator, Gana foi vice campeã da última Copa da África. Sem grandes destaques dentro de campo, vamos observar o comportamento da torcida, já que ela joga praticamente em casa.
Apenas para organizar, Sérvia encara Gana em Pretória, e a Alemanhã e Austrália se enfrentam em Durban.
É isso e até a próxima participação! Divirtam-se!

Três Seleções: Hungria, Brasil e Holanda

10 de jun. de 2010

Groics, Buzansky, Bozsik, Zakarias (que também atuava como o que chamaríamos hoje de volante, mais à frente....) e Lantos; Lorant e Czibov, Toth, Kocsis, Hidegkuti (peça-chave, avançando e recuando, dentro do esquema tático que variava ) e Puskas. Treinador: Gusztav Sebes. Eis, leitores, a Hungria, vice-campeã mundial, que conheceria a única derrota em seis anos, justamente, por 3X2 na final do torneio da Suíça, em 1954!

É conhecido o fato desta seleção ter sido a primeira a golear a Inglaterra pouco tempo antes, no mítico estádio de Wembley. O processo de formação do lendário conjunto magiar começara após a estruturação do exército do regime imposto pelos soviéticos após a segunda guerra mundial. Não entra no foco das discussões neste blog a natureza verdadeira do sistema conhecido por "socialismo real", ou, - de maneira completamente equivocada, de acordo com a doutrina marxiana original - "comunismo".

O que importa futebolisticamente para a História consiste no papel que o Honved, time ligado àquela força armada, assumiu a partir do trabalho de Gusztav Sebes, mais do que um técnico, um diretor esportivo competente capaz de introduzir métodos inovadores de preparação física para aquela época. A diferença era tal que, na maioria dos jogos, bem antes da metade do primeiro tempo, os húngaros já impunham aos adversários uma diferença de dois gols. A base selecionada vinha da corporação.

A condição atlética permitia uma movimentação que esgotava os rivais e variações táticas igualmente revolucionárias. O defensor Zakarias tanto se somava ao meio-de-campo como compunha a linha mais recuada, consolidando a definição de "quarto zagueiro". No ataque, o centroavante Hidegkuti trocava de posição com Puskas, o "Major Galopante", recuava, assegurava que a Hungria passasse do esquema 3-2-3-2 assimétrico para um 4-2-4. Marcação por todo o campo e ousadia ofensiva: uma antecipação inesquecível do futebol total. A matriz do que de melhor o futebol gaúcho produziu, por exemplo, (o Grêmio de Osvaldo Rolla, logo em seguida, com influência direta; o Internacional de Rubens Minelli, com mais acréscimos proporcionados por diferentes experiências, Bi-Campeão Brasileiro nos anos 70....) situou-se naquele momento de valorização plena da dimensão coletiva do esporte.

A campanha de 1954: 9X0 sobre a Coréia do Sul; 8X3 sobre os reservas da Alemanha Ocidental; 4X2 contra o Brasil, no confronto imortalizado como a "Batalha de Berna" e um 2X2 no tempo normal, com 2X0 na prorrogação, impondo ao Uruguai, ainda com a base de 1950, a primeira derrota em copas do mundo! O cansaço deste jogo, aliás, seria fatal para os magiares na finalíssima com os alemães.

Todos sabem da virada heróica por 3X2, mas quem examinar as imagens daquela decisão perceberá uma injustiça ao fim da jornada. Um gol, ao que tudo indica, plenamente legal de Puskas foi anulado. Teria um peso demasiado grande um país da Europa Oriental, naqueles tempos de guerra fria, se consagrar como o de melhor e mais revolucionário futebol em todos os tempos? Talvez.

Félix, Carlos Alberto, Brito, W. Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Pelé e Rivelino; Jair e Tostão. Ou seriam: Clodoaldo, Gerson, Tostão e Rivelino; Pelé e Jair? Ou ainda: Gerson, Clodoaldo, Tostão e Rivelino; Jair e Pelé? Treinador: Mário Jorge Zagalo. Eis a Seleção Brasileira de 1970. A de aproveitamento insuperável. 100%! Na Copa daquela temporada, bateu, em seis partidas, uma vice-campeã do Mundo (a Tchecoeslováquia) e nada mais, nada menos, do que três campeãs: a Inglaterra, o Uruguai e a Itália (que há muito não tinha boa participação em copas....), com um retumbante 4X1 na decisão, mesmo placar imposto aos tchecos na estréia.

A criatividade de um técnico então iniciante, a partir da base montada pelo jornalista João Saldanha, garantiu os melhores de uma geração arrebatando alegrias de diferentes torcidas, tal a demonstração de habilidade sustentada por excelente preparação tática e física. Na final contra a Itália, por exemplo, de primeiro tempo equilibrado, Tostão recuava para buscar a articulação das jogadas (e, sim, assediar os italianos, ajudando na marcação!), com Rivelino, deixando Pelé e Jairzinho mais à frente. Gerson e Clodoaldo se revezavam nas funções de meia-armador (a segunda função do meio-de-campo naquele período, de caráter mais ofensivo do que a do segundo volante hoje....) e centromédio. Todos acomodados, com improvisações que deram certo, num selecionado cuja obra, sob alguns aspectos, supera a do vencedor dos torneios de 1958 e 1962. O mérito de Zagalo muitos anos depois foi ressaltado por Tostão, um ex-craque com plena compreensão dos acontecimentos da época.

Não obstante a grandeza incontestável do conjunto que revelou Pelé para o mundo, na Escandinávia, há a ressalva da inferioridade numérica da França (causada por lesão de um jogador em dividida com o centroavante Vavá....não eram permitidas substituições....) na semifinal vencida por 5X2. Na campanha do Brasil no México, rigorosamente nada a reparar! 4X1 na Tchecoeslováquia, 1X0 na Inglaterra, 3X2 na Romênia, 4X2 no Peru, 3X1 no Uruguai e....a final definida no segundo tempo, pelo abismo de preparo físico que separava as equipes, em boa parte. Quando sofreram o quarto gol, no chutaço de Carlos Alberto, os italianos mal suportavam ficar de pé, sentindo os efeitos da semifinal em que só conseguiram superar a Alemanha na prorrogação.

Também no caso da Seleção de 1970, não se pode omitir a influência ditatorial. O regime militar apostou muitas fichas no sucesso em terras astecas, para reforçar o clima de euforia instituído pelo chamado "Milagre Econômico", enquanto nos porões a regra era a tortura contra os prisioneiros políticos. O staff da Escola de Educação Física do Exército se envolveu diretamente com o "Escrete Canarinho". Estavam nele dois futuros treinadores: Cláudio Coutinho e Carlos Alberto Parreira. Durante dois meses, houve a preparação no México, quanto ao clima e à altitude. Zagalo, no livro "As lições da Copa", reputa como imprescindíveis as horas dedicadas ao estudo dos oponentes e a possibilidade de contar com o que havia de mais moderno em metodologias esportivas, há exatas quatro décadas, para o triunfo espantoso.

Jongblod, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Neeskens e Van Hanegem; Rep, Cruyff e Resenbrink. Treinador: Rinus Michels. Eis a Holanda de 1974. O futebol total desenvolvido pela Hungria, que atingira o ápice com um pouco mais de talento e pouca coisa menos de marcação com o Brasil de 1970, acrescentava nos estádios alemães a tática do impedimento, filha da marcação por pressão adiantada, e as triangulações.

O esquema 4-3-3 perdia completamente a rigidez. É conhecida a afirmação do técnico Michels de que o alto nível de inteligência dos atletas sustentava uma série de variações, uma abolição de posições fixas (principalmente do ponto de vista ofensivo), que perturbavam completamente os adversários. Na trajetória, os holandeses atropelaram um vice (Argentina) e dois campeões mundiais (Brasil e Uruguai), deixando de ganhar somente da Suécia, antes da final. 2X0 nos charruas, 0X0 com a vice-campeã de 1958, 4X1 na Bulgária, 4X0 na Argentina, 2X0 na Alemanha Oriental e 2X0 no Brasil. Contra o conjunto canarinho, um bombardeio, e a concessão de uma única oportunidade, quase ao fim do primeiro tempo. Nos 45 minutos iniciais, a seleção, ainda comandada por Zagalo, sofreu com cinco impedimentos. Na segunda etapa, uma inversão de Cruyff com Neeskens resultou em um belíssimo tento, traduzindo a completa superioridade diante dos campeões da copa anterior. Já não atuavam Carlos Alberto, Gerson, Tostão e Pelé, evidentemente. Além de Clodoaldo, ausente por lesão. O Super-Time de 1970 era pura memória. A "Laranja Mecânica" (apelido que evocava um filme de Kubrick) ia para a decisão com os donos da casa.

Na final contra a Alemanha, a virada por 2X1 premiou a seriedade na marcação, a concentração e a enorme categoria de vários germânicos ocidentais. Não se pode falar em injustiça. A Holanda já exibira as melhores possibilidades do futebol. E alinhara-se ao lado da Hungria e do Brasil na meia-dúzia seleta de seleções para todo o sempre. Em 1978 na Argentina, Cruyff, um centroavante de múltiplos papéis, se recusaria a estar presente, protestando contra a ditadura militar, séria candidata à de maior crueldade na segunda metade do Século XX, ao menos na América do Sul.
 

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